Mentira


Odeio a mentira.
Odeio a mentira que te faz
e a que tu fazes.
Odeio a mentira que tu és
e a que vemos.
Odeio a mentira que te dá
e a que te tira.
Odeio a mentira que emplogas
e a que te faz sorrir.
Odeio a mentira que não sabes dar
e a que tentas ser.
Odeio a mentira com que compras
e a que te faz vender.
Odeio a mentira quando respiras
e aquela que me cospes.
Odeio a mentira que te fez nascer
e a que te vai fazer morrer.

Vasco Pompaelo*
A vida passa sem avisar que já acabou
O desejo fica para quem já passou
O tempo pede força e a razão sentido
Com tudo que não fiz nada está perdido

O que vem de dentro tem de explodir
Peça por peça todos vou atingir
O buraco do nada pisca-me o olho
A minha vida sinto-a de molho

Não quero ajuda e preciso é de mim
Mas vem comig, junta-te até ao fim
Por mais que voe dou-te sempre a mão
Nã quero estar em constante senão

E quando lá chegar a todos vou dizer
O quanto é bom saber viver
Apoesia não se faz de
palavras mas de emoções.
Assim como o homem não é
feito de ideias mas de acções.
Por isso procuro a acção e a
vida que me leva à paixão.

Vasco Pompaelo*

A passo de paraplégico procuro um rumo


Como é fàcil enganar aqueles que sabem tudo
É o mesmo que fazer parte de uma vida sem arte
Entrupecido pelo ar só o reles vira mudo
Eu encontro-me à parte
Só me salva abraçar-te

Telefonia arrasadora
Numa cléopatromania
Era inédito o som
Desta sinfonia

Ainda agora achei que era cedo
Mais valia chamar o enredo
Não tenho sono, não tenho medo
Só me falta amar ...mais um penedo.

Vasco Pompaelo*
A pressa de envelhecer é
consequência de uma
insegurança
em viver bem
consigo próprio.

No fundo é um reflexo de imaturidade.

Vasco Pompaelo*

Lágrimas de seda


Falta de identidade
Na base da originalidade
Do estado de calamidade
Que é a tua infelicidade

Inteligência proscrita
Feita de uma marmita
Que não sopra nem apita
Pois cola menos que uma fita

Lutando por uma paz
Que a mim tanto me faz
Já dos tempos que era rapaz
Contra essa droga de pessoas más

Porque foi sinalizado ao tempo
Esse ardor com ar de jumento
Tal a pancada que nem me sento
Ao dormir sozinho ao relento


O som do mar que vai e vem
Nessa pegada de monstro de Belém
Faz me crer que ele não tem
Essa puta cheia do teu desdém


Conspirando em franca sintonia
Daquela que não acaba um dia
Como se fosse uma bacia
De polvo ou enguia

Vasco Pompaelo*
É feita de uma camada
interna de ridículo que
ultrapassa qualquer poro.
Traz consigo um odor de podre
e cobardia.
Traz sangue _____ pelas veias
e impesta a mais básica reacção
humana ou animal.
Ninhos de bactérias se desenvolvem
e agarram os comportamentos mais
vergonhosos e mentirosos.
Tem uma respiração com ritmos
de que foge da realidade.
De quem nada tem a não ser
um vazio podre e comandado
por uma inveja cortante.
Toda uma vida reflectida nesse corpo
e nessa mente que de são e sã
já só têm uma restia
de miragem.
Longe. Esquecida. Passado.


Vasco Pompaelo*
O mundo roda aqui tão perto Quase cabe na minha mão A vida é feita de um concerto E não de uma canção Vasco Pompaelo*
Nós portugueses gostamos mesmo de fado e mar. Caimos sempre na cantiga e ficamos a ver navios... Vasco Pompaelo*
Virei arqueólogo de uma vida mórbida,
sem portas ou janelas para poder
acenar a alguém.
Uma sensação de poder porscrito faz
deste dia uma eternidade.
O que procuro não encontro.
O que me satisfaz não funciona.
Olho para dentro de mim e os meus orgãos
suplicam por uma rajada que limpe
esta névoa entranhada.
Que contraste é este?
Que traste é este?
Apetece-me afogar toda a minha razão e lógica
até que nada sobre.

Vasco Pompaelo*
Hipòcritas
Falsos
Convencidos
Mal educados
Desonestos
Desrespeituosos
Aborrecidos
Bem guarnidos
Limitados
Charlatoes
Racistas
Xenofobistas
Complicados
Monòtonos
Repetitivos

Vasco Pompaelo*

A tratar de ti faço de mim um doente
A pensar em ti torno-me um demente
Encrustado aqui vou contra a corrente
Esperançado por ti engano a mente

E por ti procuro tratar de mim
Sem querer pensar no fim
Deste ser
Luta. Luta. Luta. Não faças de conta.
Dá. Tira. Arrebenta. Partilha.
Sê. Vê. Vive e não te cales nunca.
Ambiciona o que sentes. Ama a quem.
E alegra a gente.

Vasco Pompaelo*